6.28.2014

Copa pra quem quer

E hoje, sábado, sou eu quem coloca o texto! Lá vai:

Fechou os olhos pra descansar a mente daquele sol gostoso de outono e tentar esquecer que daqui a pouco o primeiro jogo da copa do mundo começava.
Gostava de pensar que naquele exato momento estavam todos em suas casas, na frente da TV, com um pote de pipoca quentinha na mão, só esperando o momento de gritar "gol".
Gostava mais ainda de pensar que das diversas possibilidades de coisas pra se fazer naquela tardinha de quinta feira, ela escolhera ficar deitada ao sol, esperando do ar a resposta do resultado do jogo e se perguntando o que vai acontecer nos capítulos seguintes do livro que está lendo.
De fato, ela foi sem lenço nem documento pro parque. Na verdade só com uma canga, que estendeu no gramado próximo ao portão principal, onde o sol se estendia preguiçoso. Foi a pé e não se deu ao trabalho de chamar nem avisar ninguém, nem mesmo o namorado; deu-lhe a dádiva de passar o dia dos namorados sozinho e com saudades dela.
Mas ele a conhece o suficiente pra saber onde ela está e assim que o jogo engata nos últimos dez minutos, ele sai do mesmo prédio em que estou confortavelmente sossegado assistindo a calma dessa menina incomum que resolveu fugir da copa.
Não parece pra mim, que ela seja uma das não-vai-ter-copa; ele, com sua camiseta verde e amarela com certeza não é. Mas o protesto que ela fez hoje foi de longe o mais forte e sensível: atingiu todos os que se utilizam da copa para prender a atenção de um mundo inteiro e ainda fez a si mesma feliz.
A ignorância é uma dádiva. Mas uma dádiva ainda maior é a sabedoria que essa menina demonstrou hoje a tarde ao renunciar algo que não fará a mínima diferença em sua vida e o que é melhor: sem estardalhaço.
© Napolitano como meu pé - 2015. Todos os direitos reservados.
Criado por: Elane Medeiros - Isaú Vargas.
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