3.21.2015

Livro | A paixão segundo G.H. (Clarice Lispector)

Falar de algum livro da Clarice é sempre difícil. Principalmente porque não existe muito uma história pra contar e são obras sensitivas e pessoais.
Mas livros são sempre passíveis de se recomendar, não importa a dificuldade da recomendação.



A paixão segundo G.H. vai contar um dia na vida dessa mulher, a G.H. que acabou de ficar sem empregada. Antes de contratar outra pessoa, porém, ela vai dar uma olhada no quartinho que a antiga dormia e leva um susto com algumas coisas que encontra por lá.

Das coisas que ela encontra lá, a mais comum e digamos, menos espantosa é uma barata e é justamente a barata que chama a atenção da protagonista.



O livro vai ter dois "divisores de águas", que vai trazer, então, três momentos:

  • o primeiro, em que G.H. entra no quartinho depois de tanto tempo e encontra a barata >> A protagonista nesse momento é uma mulher vazia, que nem sabia o nome da antiga empregada e já tem contratar outra. Nunca tinha realmente entrado no quartinho e tudo nele a choca e ela acaba achando que o quarto tem uma personalidade diferente do resto da casa.
  • o segundo, o momento que G.H. vê a barata >> Ela começa a se questionar a existência da barata e a mostrar pra gente (na verdade pra si mesma) como a barata é forte e eleva a barata para um patamar mais alto de admiração.
  • o terceiro momento é bem mais complicado de dizer porque é um spoiler. E mesmo sendo um spoiler, a galera já sabe o que é. Ainda assim, vou te dar o direito de não saber, ok? >> A narrativa começa a pegar um clima mais religioso no sentido de G.H. tentar se encontrar e se valorizar como pessoa e aceitar as suas singularidades. Ela fala de Deus e fala dela mesma como se não houvesse nenhuma hierarquia entre o que é humano e o que é divino e devo dizer: amo isso nos livros da Clarice.


Após a leitura, percebi mais forças pra enfrentar o medo. A loucura não é olhar uma barata e achá-la mais forte, mais bonita e mais preparada que você. A loucura é não se conhecer pra saber se isso é verdade, e mais que isso, é ficar com medo de arriscar pra se conhecer e saber.

O que mais fica pra gente durante a leitura é o pensamento de que se você foi até ali, não tem como voltar (aliás, quer músicas com esse pensamento, olha uma do Engenheiros do Hawaii e uma da Tiê!) e talvez esse seja o único pensamento que vai dar coragem pra gente continuar.



Ok. Eu acabei falando bastante sobre a minha experiência de leitura e não podia ser diferente. Como eu disse, Clarice é sempre uma leitura individual e pessoal e apesar de ter alguns aspectos estudáveis, eu nunca estudei. A minha vontade era dizer mais sobre ela e sobre a personagem G.H. mas espero ter conseguido passar pelo menos uma vontadezinha de ler o livro!


BÔNUS!


Já leu algum da Clarice? Qual? Gostou? Tem vontade de ler algum? Diz aí :D
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