5.05.2017

Meu pé na Revolução dos Cravos


Dia 25 de abril completou 43 anos da Revolução dos Cravos. Pra quem não sabe, em 1926 Portugal mergulhou no regime de Salazar, regime também conhecido por Salazarismo.

Fonte: Núcleo Piratininga de Comunicação

Esse período é considerado por muitos como uma das ditaduras fascistas mais antigas do mundo. Durante muitos anos, ocorreram em Portugal diversos movimentos para tentar acabar com o Salazarismo mas apenas em 1974, com a Revolução dos Cravos é que a democracia ressurgiu. Quando a gente pesquisa, acaba descobrindo que isso acarretou em milhares de problemas políticos em Portugal, do mesmo jeito que aqui no Brasil, a gente nunca conseguiu um governo relativamente tranquilo desde a nossa ditadura militar. Mas o caso do Brasil eu deixo pra depois porque a gente nunca teve um governo tranquilo e livre de polêmicas. Aliás, acho que nenhum país teve.

Portugal mesmo, sofreu com outras tentativas de golpe, renúncias e muito extremismo logo no ano seguinte à revolução. Mas, sair de um governo opressor e cheio de censuras é uma conquista a ser comemorada e uma luta a ser lembrada, principalmente porque é uma luta que não acaba nunca.

A Revolução dos Cravos possui esse nome porque os manifestantes e oficiais colocavam cravos nos canos dos fuzis e aviões derramavam cravos vermelhos sobre Lisboa. Mas muito se engana quem pensa que a Revolução aconteceu apenas em Portugal.

Fonte: Portal EBC

Enquanto o país estava em polvorosa contra o regime fascista, as famílias gostariam que as guerras nas colônias Africanas acabassem. E na África, também tudo estava à flor da pele contra a metrópole. E foi com a Revolução dos Cravos que os países que eram colônia de Portugal, se viram livres. Mas, essa é uma parte da história que não é tão certinha: nesses países africanos, eles se orgulham de ter lutado contra a identidade de colônia e buscam até hoje o reconhecimento dessa luta. Para Portugal, foram os portugueses que conseguiram a liberdade para os africanos. Mas não vamos nos estender no heroísmo que todos queremos ter.

Na época do Salazarismo, a censura era grande e Portugal permanecia à margem dos outros países europeus no quesito modernidade. Assim, além de toda a confusão política da época, existia uma carência de identidade portuguesa nas artes literárias. É nesse contexto cultural que, logo depois da revolução, aparece na cena literária do país, José Saramago e Antonio Lobo Antunes.

Fonte: Napolitano como meu pé

Já existe aqui no blog um texto (e um vídeo no canal) sobre o livro Levantado do chão do José Saramago. Publicado em 1980, é um livro que acompanha a família Mau-Tempo desde o ano 1900 até o período da Revolução dos Cravos. É uma obra magnífica, que descreve o sofrimento do povo que trabalhava quase como escravo nos latifúndios e como eles foram se rebelando e pedindo pagamentos dignos.

De Lobo Antunes eu nunca li nada, mas existe o famoso Os cus de Judas, um livro com características autobiográficas, publicado pela primeira vez em 1979 e que vai retratar a vida do autor como médico em Angola na época das guerras coloniais. E essa é uma característica da literatura de Lobo Antunes: falar da guerra que acabou de acontecer e tentar lidar com os traumas de Portugal e dos países africanos. E com isso, eu fico super ansiosa pra ler algo dele!

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Na música, a canção Grândola, Vila Morena fez história porque ela era um sinal dado ao povo de que a revolução tinha começado. Ela foi composta por Zeca Afonso e foi censurada. Mesmo assim, no 25 de abril, ela foi tocada no rádio como símbolo da revolução e até hoje, quando há protestos e manifestações em Portugal, ela é cantada.

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

Em 1974, o Brasil passava pela própria ditadura militar e Chico Buarque lançou em 1975 a música Tanto mar, que obviamente, foi censurada pelo governo brasileiro. Falo dessa música aqui, porque nela, Chico faz referência direta à Revolução dos cravos e demonstra a esperança de um dia ter a alegria de também se ver livre da própria ditadura.



É claro que existem muitos outros livros e músicas que foram influenciados por esse período da história de Portugal, mas não cabem todos aqui e eu gosto de me focar numa coisa só pra poder me aprofundar com mais cuidado. Mas se você quiser que eu escreva mais sobre isso, deixa um comentário aqui que eu volto!


E não esquece de me dizer de outros elementos que você lembrou enquanto lia esse texto ou de idéias para outros textos como esse! Ah, eu pesquisei bastante antes de escrever e li muitos textos. Então estou deixando ali embaixo todos os links pra você ler cada uma deles, certo? São textos bem cuidados e que dão muito gosto de ler, aposto que você vai gostar.

1974: Revolução dos Cravos em Portugal
A Revolução do Cravos e a literatura portuguesa
Grândola, Vila Morena
Os cus de Judas
Os cus de Judas, de Antonio Lobo Antunes
A Revolução dos Cravos na literatura portuguesa
Revolução dos Cravos
Chico Buarque e a Revolução dos Cravos
Revolução portuguesa inspirou músicas brasileiras de resistência

Tanto mar
No aniversário da Revolução dos Cravos, 10 artistas portugueses marcantes e que merecem ser ouvidos no Brasil

E a gente se vê na próxima, tchau!



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