6.02.2017

Livro | A menina submersa: memórias (Caitlin R. Kiernan)



Perturbadoramente encantador. Foi assim que eu consegui descrever o livro A menina submersa. Mas com isso eu fico com medo de cair num erro terrível. Então calma que daqui a pouco eu chego lá.

A menina submersa é um livro escrito por Caitlin R. Kiernan e foi publicado pela primeira vez em 2012 e logo em seguida foi vencedor dos prêmios Bram Stoker e James TipTree, Jr.

Mas por que tanto auê em dar prêmios para este livro, você me pergunta! E eu te respondo: este livro é diferente de tudo o que você já leu. Eu sei que eu já falei isso de outros livros aqui no blog, então eu vou mudar a frase: esse livro é diferente de tudo o que eu já tinha lido.



Caitlin vai contar a história de India Morgan Phelps, mais conhecida como Imp. A história de Imp merece ser contada porque ela é esquizofrênica, assim como sua mãe e sua avó foram antes dela. Esse detalhe é contado para o leitor logo no comecinho do livro e já dá as cartas logo de cara: vai ser um livro sobre uma protagonista mulher, uma mulher forte, rodeada de outras mulheres fortes e que é proveniente de uma família feita por mulheres fortes.

Acho importante deixar isso claro, porque o livro é narrado pela própria Imp, só que por ser esquizofrênica, a narrativa dela não é confiável: ela conta um acontecido mas cem páginas depois ela conta que esse acontecido na verdade aconteceu de outra forma, ou nem chegou a acontecer. Isso porque a protagonista luta pra se achar no meio de tantas memórias falsas e tenta delimitar o que é ela e o que é a esquizofrenia agindo sobre ela. E ela usa como inspiração a mãe a avó que acharam métodos próprios para não se deixarem derrotar pela doença.



O livro conta uma história de fantasmas e isso a gente descobre logo na primeira página. É bacana ir descobrindo cada um dos fantasmas e torcer pra Imp vencê-los. Mas a narrativa não é linear, o tempo parece ser só mais uma incógnita na equação e a história vai sendo contada com regressões e conexões com o passado e obras de arte que acaba dando uma nota muito verossímil ao livro.

Mas comentei que tinha medo de cometer um erro terrível e tenho mesmo. Eu adorei o livro porque me dava forças ver a força da Imp ao se libertar de coisas que tentavam ser maiores que ela. Me inspirava a forma como ela tentava criar arte e se criar sem se deixar abater. Era bonito ver sua relação com sua namorada e a confidencialidade com Eva Canning, uma moça que de repente aparece e deixam as coisas mais confusas. O medo, meus amigos, está em embelezar a esquizofrenia e as doenças psiquiátricas.



Eu fiquei me perguntando porque eu gostei tanto do livro, porque me identifiquei tanto com a Imp e se a autora tentou fazer a Imp parecer normal ou parecida com seus leitores. Corri atrás de diversas resenhas, reli alguns trechos e não, a Imp não é uma pessoa normal ou saudável. Ela luta contra uma doença mental do mesmo jeito que alguém luta contra um câncer ou uma conjuntivite e a beleza está em ir vivendo apesar disso.

Mas o estar doente não é bonito e a autora fez questão de colocar isso no livro. Existe um certo momento da história, o seu clímax, em que a doença de Imp toma conta das páginas. E existem detalhes na história da namorada da protagonista e na vida da autora que mostram que existem doenças reais que merecem ser tratadas e existem preconceitos que também precisam ser radicados, e que não devemos confundir doenças e preconceitos.



Então sim, esse livro deve ser lido! E sim, merecia cada um dos prêmios. Aqui no Brasil ele foi publicado pela DarkSide books em duas edições caprichadas e a minha é a da edição limitada, de capa dura. A diagramação é maravilhosa e eu odiava livros com o corte de páginas colorido, mas esse aqui ganhou meu coração.




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